terça-feira, 20 de agosto de 2013

A ESPERA DO TEMPO PASSAR

Eu acredito em destino. Mas se eu acredito em destino, porque eu não sossego a ansiedade? Porque eu sou naturalmente ansiosa? Mas se eu sou naturalmente ansiosa, é porque talvez eu não acredite tanto assim em destino... Ah! Como minha cabeça explode! 

O mês de agosto sempre foi um mês estranho pra muita gente. Estranho, né? Porque será? Impressionante como este mês está estranho pra mim. São muitas esperas, muitas frases do tipo "eu sei que quando chegar a hora, farei a melhor escolha", "vamos esperar pra ver no que dá", "calma que coisas melhores virão". Sempre frases destinadas ao futuro! Sempre! Como se isso fosse acalmar quem fala e quem ouve. Incrível que parece desesperar mais... 

Irônico dizer que este mês o tema do projeto "Novos Olhares" é "Tempo". Tempo é uma coisa que todo mundo sabe o que é, mas ninguém sabe realmente explicar (como já dizia Santo Agostinho). O "tempo é o melhor remédio". Que inferno de afirmação! O tempo às vezes pode durar milênios, segundos, tudo depende do momento que está sendo vivido. 

Afinal, porque a gente sempre quer viver o dia seguinte? Pra nos assegurarmos que as nossas escolhas estão certas? Que viveremos o amanhã? Porque essa necessidade que o tempo passe depressa? Tenho a esperança que esse sentimento seja por conta da minha idade. Jovem, quer abraçar o mundo, acha que não terá tempo de realizar nada... 

A necessidade de sentir o tempo passar, ver que as coisas mudaram (para pior e para melhor)... engraçado que o tempo está sempre atrelado a evolução, nunca ao fracasso. É melhor pensar assim. Realmente acho que o passar dos dias (não o tempo, mas é o tempo) nos ajuda a resolver nossas questões. Mas quem as vive não quer pensar que daqui uns dias estará melhor, quer resolver o problema agora! Dane-se o tempo! Meu tempo é hoje. Mentira. Meu tempo nunca foi hoje, nunca consegui essa proeza. Meu tempo sempre foi o amanhã, o daqui 10 anos, 8, 6... e com o passar do tempo, o próprio tempo vai diminuindo. 

No projeto faremos uma cena de "O Jardim das Cerejeiras". Ótima lembrança de Rodrigo Inamos. Justo Anton Tchekov, que parece que nas suas peças o tempo não passa. E nesse caso o tempo passa, para a história, e não para  as pessoas. O tempo vem como um rodo, que vai passando e empurrando, deixando as pessoas contra a parede conforme ele passa. O tempo exige pressa, decisão! Uma peça ótima para esse momento em que tudo aguarda para acontecer. Aguarda o que? O tempo. 

A falta de perspectiva, a falta de notícias, a falta de certezas, a falta de coragem... tudo isso faz o tempo parecer uma eternidade! Parece que estamos adormecidos esperando a hora certa para acordar, levantar e começar a fazer algumas coisas. O tempo está muito atrelado ao medo, que por sua vez está muito atrelado à ansiedade, que por sua vez está atrelada à insegurança, que por sua vez está atrelada ao futuro, que está atrelado ao tempo. 

Um dia conseguiremos, verdadeiramente, saber esperar. Saber ficar muito tempo em silêncio ao lado de muitas pessoas... isso um dia não vai mais nos incomodar. Esperar não vai significar inércia, mas sim sabedoria. Que assim seja, amém!


quinta-feira, 1 de agosto de 2013

IMPROVISAR A FELICIDADE OU SER FELIZ IMPROVISANDO?




   Se quiser se juntar à nós, é só chegar na Rua Augusta, 1239 e interfonar na Viração. Estamos abertos, principalmente para novas opiniões!    

Adriane Tunes e William Vasconcelos
    Há 2 meses tenho trabalhado, juntamente com a Cia de Teatro Olhares, no projeto "Novos Olhares", que pretende por meio do teatro trazer novas visões do mundo para as pessoas. A ideia é simples: trabalhar a cada mês um tema diferente com uma linguagem teatral diferente para, na aula aberta (última aula do mês), um convidado externo ligado às artes (qualquer arte) assistir as cenas preparadas e entrar na nossa discussão colocando, é claro, a maneira de como a arte dele pode ver o mesmo tema. Ou seja, diversos modos de olhar para um só ponto.

Alguns alunos e convidados.
    No primeiro mês trabalhamos com improviso e convidei meu amigo e ator Betto Pita para a aula aberta. Porque improviso? Levando em conta que a maioria do grupo estava conhecendo o universo teatral pela primeira vez, achei justo que eles entendessem que a graça - e a magia- do teatro é simplesmente acreditar no que você está fazendo, perder o senso do ridículo que muitas vezes nos coloca a sociedade, e confiar no grupo. Dizem que fazer teatro é se jogar de um precipício sem absolutamente nada em baixo. E é verdade. Principalmente no improviso.

Rodrigo Inamos, da Cia de Teatro Olhares
e Convidado
   A aula aberta foi uma delícia! Os alunos perguntaram, interessados, sobre as diferenças de fazer teatro decorando um texto, e de improvisar uma cena. É muito bom ver que os alunos se interessaram pelo tema e pelo convidado, fazendo perguntas que nós atores sempre nos fazemos: "Como conseguir a verdade na cena?". Ai ai... quem é professor sabe o quanto isso é bom!

   Neste mês que se passou, o nosso tema foi mais filosófico: "Felicidade", com cenas a partir de partituras corporais. Está claro que felicidade é um tema recorrente em artigos, facebooks, conversas de botequim... Cada vez mais o homem se pergunta se ele conseguirá um dia descobrir o que é a felicidade.

Alunas e convidada.
   Pedimos para na primeira aula trazerem objetos que respondessem a pergunta "O que é Felicidade", e vimos de tudo: meia, foto, música, DVD, texto... cada um trouxe o que para si significava. E a partir disso, fizeram cenas com partituras corporais e descobriram que o sentido de uma cena pode ser construída DEPOIS da própria cena. É saber que os alunos percebem e gostam das suas próprias descobertas, acredito que o conhecimento começa aí.

   Na aula aberta, chamei um casal de convidados: Adriane Tunes, atriz, pedagoga e psicóloga e Willian Vasconcelos, pensador (não se considera um filósofo mesmo tendo feito filosofia) e músico. Ambos com uma cartela cheia de opiniões, livros e músicas que tratavam sobre o tema.

   Muito bom perceber que existe gente da minha geração (18 a 30 anos) a fim de discutir e filosofar um pouco sobre a vida. Todos ficaram atentos às questões colocadas. Silenciosos. E por incrível que pareça, por 1h30min! Aquela história de que a minha geração não se interessa por nada me pareceu mentira naquela hora.

   Sobre o tema felicidade, fica claro que o homem não consegue - e não deve- definir. E que a cada minuto tentando saber o que é, o que significa, quer dizer 1 minuto angustiante a mais da não resposta. Confesso que fiquei aliviada ao saber que ninguém, nem o Dalai Lama conseguem definir. Talvez pare um pouco para pensar e sentir pequenos momentos de alegria, assim a tranquilidade me deixaria mais feliz. O importante é saber e perceber que cada um tem um motivo e momentos de alegrias extremas, e que não é ruim sentir tristeza. Para Pascal (estou correta, Willian?) o homem é um ser de tédio. Por mais triste que seja concordar com isso, eu concordo. Mas triste porque? Não estamos todos a todo momento tentando procurar algo que nos faça sentido? E quando encontramos este "algo", logo tratamos de encontrar outro "algo" que nos complemente porque o outro "algo" já nos cansou? Acredito que essas sensações de "quero mais" (e não cito coisas materiais aqui) fez o homem descobrir grandes coisas. Mas existem coisas além do próprio homem que seria chato demais se ele soubesse a resposta. Afinal, a graça e a dor da vida são as dúvidas!

   Este mês teremos o tema "Tempo" na linguagem do naturalismo. Acho que em uma cidade como São Paulo, onde 24 horas não são o suficiente, responder o que seria esse tal de tempo, ou ao menos tentar, seja útil e confortador, como foi a discussão sobre felicidade.

terça-feira, 18 de junho de 2013

Muita Hora nessa Calma!

O Analfabeto Político
"O pior analfabeto é o analfabeto político. Ele não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos políticos. Ele não sabe o custo de vida, o preço do feijão, do peixe, da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio dependem das decisões políticas.
O analfabeto político é tão burro que se orgulha e estufa o peito dizendo que odeia a política. Não sabe o imbecil que, da sua ignorância política, nasce a prostituta, o menor abandonado, e o pior de todos os bandidos, que é o político vigarista, pilantra, corrupto e lacaio das empresas nacionais e multinacionais." Bertold Brecht 

Amo Brecht, ele sempre me disse as coisas certas na hora certa. 

Estamos passando por um momento meio atordoado da vida política brasileira: muitos vômitos insatisfeitos, muita raiva guardada, muito motivo e muitas ideias. Sem canalização. Ontem, assisti ao "Roda Viva" da TV Cultura, e os representantes do Movimento Passe Livre insistiram na ideia de que as pessoas estavam indo às ruas pedindo a revogação do aumento da passagem. Eles sabem que não é isso. Ontem, estava contra eles, afirmando que perderam a rédea (o que também não é mentira), e que se recusam a ver que as pessoas estão simplesmente revoltadas com a vida que levam. Segundo meu pai, Pedro Gimene, eles só não querem perder o protagonismo. Não os culpo. 

Agora, meu facebook antes bombardeado com coisas engraçadas, alguns protestos políticos, samba, e etc, está monotemático: No protesto de hoje, o que iremos falar? 

Não que isso seja uma coisa ruim, não acho! Mas, querendo ou não, tira o foco do motivo pelo qual o MPL foi criado e dá margens às mil e uma facetas da nossa querida classe média burguesa e dos nossos amados reacionários brasileiros, desesperados em meter o pobre na cadeia e fazer do nordeste um lugar que não pertença mais ao Brasil (vomitei). 

Como disse meu amado e idolatrado Bertold Brecht (está na hora dos neo-revolucionários saberem de quem se trata), o analfabeto político é a pior ignorância que alguém pode querer para si, e vejo que estamos passando por essa prova: o excesso de jovens, de pessoas descontentes é lindo de ver, muito mesmo! Mas dá medo de ouvir alguns protestos. Que eu me lembre, na primeira metade da década de 1960, nosso querido Jango defendia as reformas de base, os trabalhadores, jovens e partidos políticos de esquerda o apoiaram, enquanto a nossa famosa classe média juntamente com o seu grande modelo, a elite, morria de medo que isso se tornasse realidade, os queridos udenistas. Fica claro pra todo mundo o que aconteceu em 1964, não é? 

As pessoas, com raiva dos pobres, raiva dos nordestinos, raiva dos pretos, do samba, das oportunidades iguais, se inflavam em discursos que o próprio Hitler aplaudiria de pé, "mas longe de mim ser preconceituoso!". O que vejo hoje não é nada muito diferente: estudantes que não tiveram base política nenhuma, sendo facilmente moldados aos quereres - indiretos e obscuros - da nossa direita. Agora, todo cuidado é pouco: vamos nos inflar menos e raciocinar mais. Não acredito que todo político é corrupto, assim como acredito que todo homem é um ser político, ele faz política em qualquer circunstância. Não gostaria que a minha geração se inflasse de orgulho apoiando o voto nulo, ou o voto em branco por simples birra. Isso não é birra, é burrice! A política deve acontecer sim, e não é pedindo impeachment que vamos resolver alguma coisa. Temos que pensar nas consequências dos nossos quereres. 

Conseguiram transformar essa manifestação em um grande vazio, com ideias vagas sobre todos os assuntos, e o que o MPL quer mesmo, ninguém mais discute. Se todo mundo que gritar, então agora, gritemos pelo que está em pauta: a revogação do aumento. Depois, gritemos pelas nossas angústias específicas. 

Eu iria hoje gritar pela minha bandeira: "Cultura também é Educação", mas acho que só atrapalharia com mais um tema. Se vou perder a chance de gritar por isso? Nunca! Não é a toa que dou aulas de teatro, não é a toa que sou atriz. Esta sempre foi, e sempre será a minha bandeira. 

Hoje agradeço aos meus pais Pedro Gimene e Cristina Gimene, que desde que eu me conheço por gente me educaram que política é coisa séria e que existe sim gente querendo fazer o bem. Me ensinaram a ter vontades me contando das greves que faziam, dos movimentos que participaram e da favela que ajudaram a urbanizar (é só passar pelo Andorina). Muito obrigada pais que acreditaram em mim como um ser-humano que sabe que não está aqui a toa, desde sempre eu tenho essa consciência. 

Agora, peço aos filhos que quando ouvem seus pais dizerem que "política é uma merda" e que "nada que a gente pede acontece" o façam olhar para a janela, e perceber que o mundo é muito mais "que a porra do seu todynho gelado". Os pais DEVEM conscientizar os filhos na política, vamos acabar com esse discurso, é isso o que estraga o país, não os nordestinos do Bolsa Família.

Jovens, agora mais do que nunca é preciso LER e ENTENDER política, não será mais aceito qualquer argumento baseado em preconceitos, o negócio ficou sério porque nós quisemos que ficasse sério, agora tem que saber o que falar e como pedir. Se eu acho que o MPL sabe o que está dizendo? Acho que não, e eles mesmo admitiram ontem ao vivo "não temos a obrigação de ver como a prefeitura faria o passe-livre", mentira! Mas, que o que está acontecendo é muito legal de ver, é. Só não pode ser só isso. 

quinta-feira, 6 de junho de 2013

O BALLET DO HOMEM MODERNO

Faço ballet há 2 meses pela primeira vez na minha vida. Quando era pequena preferia a capoeira, embora nunca tenha feito. Achava mais legal por causa da música. Minha irmã, Luiza Gimene, faz ballet desde os 15 anos, hoje, com 20, já é formada. Quem conhece ballet sabe que é uma dança muito difícil, muito perfeccionista, então podemos concluir que ela se deu muito bem na dança. Só a gente conclui, ela não.

O ballet, ao meu ver, é a dança que mais estimula a competitividade entre as suas bailarinas. Como é uma dança muito difícil, cada aula é um aprendizado corporal e psicológico que a bailarina, se souber apreender tudo o que aprende, poderá atingir um auto-conhecimento e auto-controle muito bom! Se não, vai cair na mania-mor de quase todos os alunos: observar o outro para se engrandecer nele. Alguma comparação com a vida que a gente leva?

Nesta dança, tudo tem que estar duro e posicionado (sem piadas de duplo sentido, por favor!). Quadril encaixado com a coluna, abdômen contraído, perna firme e reta (sem dobrar o joelho!), pés e pernas apontados para fora, parecendo um patinho, braços firmes e duros. Rosto? Sorrindo. É tudo muito difícil e muita informação para um ser-humano. Aprender a controlar seu equilíbrio, sua força, e ainda passar a ideia de que está tudo bem, tranquilo, é algo que demora às vezes, anos!

Ontem, pensando e conversando sobre a vida com a minha colega do ballet Vivianne Mendes, fiz (mentalmente) um paralelo do ballet com o mundo em que vivemos hoje: devemos nos manter firmes, seguros, fazendo e pensando em mil coisas ao mesmo tempo, mas, em hipótese alguma devemos transparecer que estamos sofrendo. Sorria!

A necessidade de se mostrar feliz pros outros nos leva a procurar mil coisas para fazer na tentativa de achar aquilo que a gente acha que realmente vai nos completar, como pessoa ou conhecimento. Mas, sempre que avaliamos nosso grau de satisfação, por incrível que pareça, ele está baixo. E logo pensando em outra coisa que desejamos fazer e ainda não fizemos por falta de grana, ou de tempo mesmo.

Engraçado que a opção de parar para se ouvir, se conhecer, pensar, é sempre a última, porque consideramos um corpo parado inativo, devemos sempre estar em movimento, sempre prontos para o que a vida vem nos trazer, afinal, quem sabe se nessa nova atividade a minha vida não muda?

Em conversa com Vivian Ragazzi, aqui do meu trabalho mesmo, chegamos à conclusão de que o homem é movido pelo pensamento que os outros tem -ou podem ter- dele. O que o outro vai pensar de você é mais importante do que você pensa de você mesmo. A opinião do outro sobre a sua pessoa muitas vezes o faz agir como essa pessoa espera que você aja!

Não que eu ache isso extremamente ruim, afinal, a necessidade de provar para os outros que você pode mais é que levou o homem a estar onde ele está agora.

O desejo de "ser" é o que mais move o homem, só não pode ser maior que ele mesmo. E você, gostou do que eu escrevi?

quarta-feira, 29 de maio de 2013

"O IMPORTANTE NA EMOÇÃO É O SEU SIGNIFICADO"

Porque nós achamos que alguém muito passional chega a ser desequilibrado em certos momentos? Simplesmente porque a pessoa não chegou na parte de racionalizar os fatos e tudo o que sentiu, tudo acaba saindo explosivo e desnorteado. Assim eu vejo a arte. Estava vendo alguns videos de dança na internet e cheguei à uma conclusão: é muito fácil ser brega. Se o criador não tomar cuidado, o que ele faz pode ficar totalmente piegas.

Acredito que o artista tem um lado emocional/sensitivo muito forte, se não, não se expressaria pela arte, mas sim por outra forma. Mas, é muito perigoso se deixar levar totalmente pela emoção quando se planeja uma obra de arte. Ontem, lendo o livro " Para Atores e Não Atores" do Augusto Boal, cheguei à essa conclusão:  o artista PRECISA ter seu lado racional sob controle. Ou seja, razão e emoção devem andar lado a lado, devemos sentir e racionalizar a sensação para podermos explicá-la, afinal, a arte comunica.

"O importante na emoção é o seu significado", é isso Boal! Uma emoção sozinha é muito vaga, muito superficial, a emoção deve vir com um significado, deve vir com uma racionalização. No palco, por exemplo, um ator que é "só emoção" se torna perigosíssimo para os colegas de palco e para ele mesmo (vide exemplo do ator que fazia Otelo de Shakespeare que quase matava a Desdêmona em praticamente todas as sessões). O artista DEVE ter um distanciamento coerente da sua obra porque se não tiver, aquilo vira um balde cheio de emoção sem nenhum conteúdo ou informação. Não digo informação do estilo jornalismo, mas no sentido de inteligível, de compreensível.

Acho que deveríamos pensar assim: o que eu quero dizer sobre isso? Em que isso me toca? Para quem eu quero falar? Eu sei que me parece um pouco radialista demais, principalmente a parte do público alvo, mas tudo aquilo que se comunica deve ser bem estudado para não ser cometido nenhum equívoco. Pense sempre que a partir de um momento que a pessoa se abre para ouvir ou ver uma obra, ela liga uma parte sensorial do seu cérebro, que também passa pelo racional. Ou seja, a pessoa vai tirar uma conclusão daquilo que ela viu, queira ou não queira. Assim deve agir o artista do momento de criação: sentir, pensar e agir. Ser racional não é ser frio, é saber analisar.


terça-feira, 21 de maio de 2013

DA RISADA AO BATUQUE

Nessas 2 semanas assisti 2 espetáculos bem diferentes, cada um maravilhoso em sua linguagem: "A Noite dos Palhaços Mudos", com o grupo Lá Mínima, e "Humus", com a Cia Antônio Nóbrega de Dança.

Vamos começar com o espetáculo assistido há mais tempo. Não me lembro na minha infância de ter ido ao circo, não tenho na memória a lembrança do palhaço, por isso sua figura sempre me foi muito distante. Aos 22 anos, pela primeira vez fui apresentada ao universo. Não fui ao circo, é verdade, estava no Sesc Ipiranga (que sopa deliciosa), em uma semana onde o circo estava sendo homenageado. Mas ver o palhaço, aquele palhaço que me lembrou Charlie Chaplin: bobo, inocente, criança, me fez muito bem!

A peça é maravilhosa: começa com um homem que rouba o nariz de um palhaço simplesmente porque quer acabar com a raça dos palhaços mudos. Este palhaço, juntamente com seu amigo, vão até a mansão do ladrão para recuperar a identidade. Todos sabem que o palhaço não é palhaço sem o seu nariz, e que o nariz de palhaço é muito mais do que um simples nariz, é o palhaço completo.

A sensação é de que eu estava assistindo a uma brincadeira de criança bem ensaiada! O palhaço nunca diz "não", aceita tudo aquilo que você propõe como verdadeiro, e isso no teatro é brilhante! Não vou me esquecer nunca de uma cena feita com dedinhos e um carrinho de brinquedo. Nessas horas nós percebemos o quanto às vezes somos atores chatos e cabeçudos. Uma cena pode ser feita de tantas formas, de tantos jeitos, e aquele era um jeito tão simples que me senti uma estúpida! Em apenas 1h me diverti e embarquei no mundo que eles propuseram. E tem mais: assistir uma sessão com crianças é delicioso! Riem, choram e acreditam em tudo! Pra mim, teatro é isso: pureza, em todos os sentidos, até nos mais sórdidos!

Bom, o segundo foi um espetáculo de uma síntese da pesquisa de Antônio Nóbrega na dança brasileira, com o nome "Humus" no Auditório do Ibirapuera. Pra começar, nem acredito que consegui assistir, porque eu e Rodrigo Inamos chegamos 30 minutos atrasados! Perdemos o começo, mas chegamos no solo da minha amiga Priscila Paciência, que estava dançando Maracatu Rural em uma música que pegou, não dava pra parar de ouvir, mesmo sem a música!

Teaser do Espetáculo Humus

Tudo o que os bailarinos fizeram parecia muito fácil -taí a eficiência- tirando a parte do frevo, que eu sabia que se tentasse dançar alguma coisa, não sairia do chão por falta de força. Diferentemente do espetáculo "Pó de Nuvens" que me trouxe tranquilidade, este espetáculo me deu energia, acredito que seja por conta da nossa dança de batuques, onde a explosão é necessária.

Definitivamente, eu adoro a dança brasileira! Me deu vontade de ir dançar no palco, mesmo sabendo que eu ia passar vergonha. Nossa cultura é rica em ritmos, passos, é uma cultura mestiça da culinária até a genética.

Realmente Antônio Nóbrega é um ótimo pesquisador, ator, músico, bailarino, coreógrafo, cenógrafo, psicólogo, médico e gari. Um espetáculo que não deu vontade de ir embora, só espero que tenham mais um reapresenta pra eu ver o começo!!  

Essas experiências artísticas (boas) me fazem ter orgulho de tentar pertencer à classe. Me dão vontade de continuar seguindo, pesquisando e experimentando novas linguagens, novos meios. O que aprendi? Tudo é linguagem, tudo é referência, tudo é arte!

sexta-feira, 5 de abril de 2013

SOMOS TODOS LOUCOS!!

Nesta terça-feira, dia 02/04/2013, fiz uma experiência: dei uma aula de teatro/corpo para alunos de uma academia de ginástica. A minha tentativa é de trazer o universo do teatro para a realidade da academia. Como? Exercícios corporais juntados com interpretações e visões criativas sobre as coisas da vida.

Pra variar, estavam todos os 5 ou 6 alunos (esqueci de contar) bem tímidos. Alguns faziam os exercícios numa boa, outros se perguntavam o porque estavam ali. Ninguém se recusou a fazer nada, apenas fazia com vergonha; e olha que eu não coloquei nada que considerasse "pagação de mico": caminhando pelo espaço, partituras corporais, dança dos elementos, exercício das fotos, improvisação sobre um espaço... Mas mesmo assim os senti acanhados e faziam tudo rindo e não acreditando no que o colega estava fazendo.

Depois dessa aula parei para perceber a grande diferença entre dar aulas para crianças e adultos: as crianças não estão ligando para seus papéis sociais, para o que os outros vão pensar dela se agir desta ou daquela forma, fazem e pronto! Já o adulto, cheio de regras e funções, acha todo esse universo da imaginação, criação e brincadeira uma vergonha. Até perceberem que eles, naquele espaço, estão permitidos a fazer o que bem entendem se vão algumas aulas.

Engraçado... passando por algumas situações que a gente passa no trabalho penso que loucos somos nós. Porque não um pouco de loucura na nossa vida cotidiana? A quem queremos agradar? Porque devemos fingir tanto estarmos contentes, estarmos satisfeitos? Não é mais correto falar a verdade? Correto é, mas é muito mais difícil, porque nem todo mundo concorda com alguém muito sincero.

Então quer dizer, temos que fingir! Fingir que existe muita justiça no mundo, fingir que tudo isso é muito normal. Ou seja, somos atores! HÁ! Então, meus amigos, porque não nos permitimos soltar o verbo? Porque não nos permitimos expressar o que queremos? A arte é uma bela válvula de escape, a arte nos ouve, e através dela somos ouvidos pelo mundo. Se não falarmos, enlouquecemos, e cada um tem seu meio de enlouquecer: depressão, dor de estômago, estresse, consumo, mau-caratismo. Vejo todas essas reações humanas como válvula de escape. Porque então não fazemos algo mais saudável? Não precisa ser propriamente teatro, mas precisa ser algo onde você se sinta ouvido.

Admita: por dentro, SOMOS TODOS LOUCOS!!