O Analfabeto Político
"O pior analfabeto é o analfabeto político. Ele não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos políticos. Ele não sabe o custo de vida, o preço do feijão, do peixe, da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio dependem das decisões políticas.
O analfabeto político é tão burro que se orgulha e estufa o peito dizendo que odeia a política. Não sabe o imbecil que, da sua ignorância política, nasce a prostituta, o menor abandonado, e o pior de todos os bandidos, que é o político vigarista, pilantra, corrupto e lacaio das empresas nacionais e multinacionais." Bertold Brecht
Amo Brecht, ele sempre me disse as coisas certas na hora certa.
Estamos passando por um momento meio atordoado da vida política brasileira: muitos vômitos insatisfeitos, muita raiva guardada, muito motivo e muitas ideias. Sem canalização. Ontem, assisti ao "Roda Viva" da TV Cultura, e os representantes do Movimento Passe Livre insistiram na ideia de que as pessoas estavam indo às ruas pedindo a revogação do aumento da passagem. Eles sabem que não é isso. Ontem, estava contra eles, afirmando que perderam a rédea (o que também não é mentira), e que se recusam a ver que as pessoas estão simplesmente revoltadas com a vida que levam. Segundo meu pai, Pedro Gimene, eles só não querem perder o protagonismo. Não os culpo.
Agora, meu facebook antes bombardeado com coisas engraçadas, alguns protestos políticos, samba, e etc, está monotemático: No protesto de hoje, o que iremos falar?
Não que isso seja uma coisa ruim, não acho! Mas, querendo ou não, tira o foco do motivo pelo qual o MPL foi criado e dá margens às mil e uma facetas da nossa querida classe média burguesa e dos nossos amados reacionários brasileiros, desesperados em meter o pobre na cadeia e fazer do nordeste um lugar que não pertença mais ao Brasil (vomitei).
Como disse meu amado e idolatrado Bertold Brecht (está na hora dos neo-revolucionários saberem de quem se trata), o analfabeto político é a pior ignorância que alguém pode querer para si, e vejo que estamos passando por essa prova: o excesso de jovens, de pessoas descontentes é lindo de ver, muito mesmo! Mas dá medo de ouvir alguns protestos. Que eu me lembre, na primeira metade da década de 1960, nosso querido Jango defendia as reformas de base, os trabalhadores, jovens e partidos políticos de esquerda o apoiaram, enquanto a nossa famosa classe média juntamente com o seu grande modelo, a elite, morria de medo que isso se tornasse realidade, os queridos udenistas. Fica claro pra todo mundo o que aconteceu em 1964, não é?
As pessoas, com raiva dos pobres, raiva dos nordestinos, raiva dos pretos, do samba, das oportunidades iguais, se inflavam em discursos que o próprio Hitler aplaudiria de pé, "mas longe de mim ser preconceituoso!". O que vejo hoje não é nada muito diferente: estudantes que não tiveram base política nenhuma, sendo facilmente moldados aos quereres - indiretos e obscuros - da nossa direita. Agora, todo cuidado é pouco: vamos nos inflar menos e raciocinar mais. Não acredito que todo político é corrupto, assim como acredito que todo homem é um ser político, ele faz política em qualquer circunstância. Não gostaria que a minha geração se inflasse de orgulho apoiando o voto nulo, ou o voto em branco por simples birra. Isso não é birra, é burrice! A política deve acontecer sim, e não é pedindo impeachment que vamos resolver alguma coisa. Temos que pensar nas consequências dos nossos quereres.
Conseguiram transformar essa manifestação em um grande vazio, com ideias vagas sobre todos os assuntos, e o que o MPL quer mesmo, ninguém mais discute. Se todo mundo que gritar, então agora, gritemos pelo que está em pauta: a revogação do aumento. Depois, gritemos pelas nossas angústias específicas.
Eu iria hoje gritar pela minha bandeira: "Cultura também é Educação", mas acho que só atrapalharia com mais um tema. Se vou perder a chance de gritar por isso? Nunca! Não é a toa que dou aulas de teatro, não é a toa que sou atriz. Esta sempre foi, e sempre será a minha bandeira.
Hoje agradeço aos meus pais Pedro Gimene e Cristina Gimene, que desde que eu me conheço por gente me educaram que política é coisa séria e que existe sim gente querendo fazer o bem. Me ensinaram a ter vontades me contando das greves que faziam, dos movimentos que participaram e da favela que ajudaram a urbanizar (é só passar pelo Andorina). Muito obrigada pais que acreditaram em mim como um ser-humano que sabe que não está aqui a toa, desde sempre eu tenho essa consciência.
Agora, peço aos filhos que quando ouvem seus pais dizerem que "política é uma merda" e que "nada que a gente pede acontece" o façam olhar para a janela, e perceber que o mundo é muito mais "que a porra do seu todynho gelado". Os pais DEVEM conscientizar os filhos na política, vamos acabar com esse discurso, é isso o que estraga o país, não os nordestinos do Bolsa Família.
Jovens, agora mais do que nunca é preciso LER e ENTENDER política, não será mais aceito qualquer argumento baseado em preconceitos, o negócio ficou sério porque nós quisemos que ficasse sério, agora tem que saber o que falar e como pedir. Se eu acho que o MPL sabe o que está dizendo? Acho que não, e eles mesmo admitiram ontem ao vivo "não temos a obrigação de ver como a prefeitura faria o passe-livre", mentira! Mas, que o que está acontecendo é muito legal de ver, é. Só não pode ser só isso.
terça-feira, 18 de junho de 2013
quinta-feira, 6 de junho de 2013
O BALLET DO HOMEM MODERNO
Faço ballet há 2 meses pela primeira vez na minha vida. Quando era pequena preferia a capoeira, embora nunca tenha feito. Achava mais legal por causa da música. Minha irmã, Luiza Gimene, faz ballet desde os 15 anos, hoje, com 20, já é formada. Quem conhece ballet sabe que é uma dança muito difícil, muito perfeccionista, então podemos concluir que ela se deu muito bem na dança. Só a gente conclui, ela não.
O ballet, ao meu ver, é a dança que mais estimula a competitividade entre as suas bailarinas. Como é uma dança muito difícil, cada aula é um aprendizado corporal e psicológico que a bailarina, se souber apreender tudo o que aprende, poderá atingir um auto-conhecimento e auto-controle muito bom! Se não, vai cair na mania-mor de quase todos os alunos: observar o outro para se engrandecer nele. Alguma comparação com a vida que a gente leva?
Nesta dança, tudo tem que estar duro e posicionado (sem piadas de duplo sentido, por favor!). Quadril encaixado com a coluna, abdômen contraído, perna firme e reta (sem dobrar o joelho!), pés e pernas apontados para fora, parecendo um patinho, braços firmes e duros. Rosto? Sorrindo. É tudo muito difícil e muita informação para um ser-humano. Aprender a controlar seu equilíbrio, sua força, e ainda passar a ideia de que está tudo bem, tranquilo, é algo que demora às vezes, anos!
Ontem, pensando e conversando sobre a vida com a minha colega do ballet Vivianne Mendes, fiz (mentalmente) um paralelo do ballet com o mundo em que vivemos hoje: devemos nos manter firmes, seguros, fazendo e pensando em mil coisas ao mesmo tempo, mas, em hipótese alguma devemos transparecer que estamos sofrendo. Sorria!
A necessidade de se mostrar feliz pros outros nos leva a procurar mil coisas para fazer na tentativa de achar aquilo que a gente acha que realmente vai nos completar, como pessoa ou conhecimento. Mas, sempre que avaliamos nosso grau de satisfação, por incrível que pareça, ele está baixo. E logo pensando em outra coisa que desejamos fazer e ainda não fizemos por falta de grana, ou de tempo mesmo.
Engraçado que a opção de parar para se ouvir, se conhecer, pensar, é sempre a última, porque consideramos um corpo parado inativo, devemos sempre estar em movimento, sempre prontos para o que a vida vem nos trazer, afinal, quem sabe se nessa nova atividade a minha vida não muda?
Em conversa com Vivian Ragazzi, aqui do meu trabalho mesmo, chegamos à conclusão de que o homem é movido pelo pensamento que os outros tem -ou podem ter- dele. O que o outro vai pensar de você é mais importante do que você pensa de você mesmo. A opinião do outro sobre a sua pessoa muitas vezes o faz agir como essa pessoa espera que você aja!
Não que eu ache isso extremamente ruim, afinal, a necessidade de provar para os outros que você pode mais é que levou o homem a estar onde ele está agora.
O desejo de "ser" é o que mais move o homem, só não pode ser maior que ele mesmo. E você, gostou do que eu escrevi?
O ballet, ao meu ver, é a dança que mais estimula a competitividade entre as suas bailarinas. Como é uma dança muito difícil, cada aula é um aprendizado corporal e psicológico que a bailarina, se souber apreender tudo o que aprende, poderá atingir um auto-conhecimento e auto-controle muito bom! Se não, vai cair na mania-mor de quase todos os alunos: observar o outro para se engrandecer nele. Alguma comparação com a vida que a gente leva?
Nesta dança, tudo tem que estar duro e posicionado (sem piadas de duplo sentido, por favor!). Quadril encaixado com a coluna, abdômen contraído, perna firme e reta (sem dobrar o joelho!), pés e pernas apontados para fora, parecendo um patinho, braços firmes e duros. Rosto? Sorrindo. É tudo muito difícil e muita informação para um ser-humano. Aprender a controlar seu equilíbrio, sua força, e ainda passar a ideia de que está tudo bem, tranquilo, é algo que demora às vezes, anos!
Ontem, pensando e conversando sobre a vida com a minha colega do ballet Vivianne Mendes, fiz (mentalmente) um paralelo do ballet com o mundo em que vivemos hoje: devemos nos manter firmes, seguros, fazendo e pensando em mil coisas ao mesmo tempo, mas, em hipótese alguma devemos transparecer que estamos sofrendo. Sorria!
A necessidade de se mostrar feliz pros outros nos leva a procurar mil coisas para fazer na tentativa de achar aquilo que a gente acha que realmente vai nos completar, como pessoa ou conhecimento. Mas, sempre que avaliamos nosso grau de satisfação, por incrível que pareça, ele está baixo. E logo pensando em outra coisa que desejamos fazer e ainda não fizemos por falta de grana, ou de tempo mesmo.
Engraçado que a opção de parar para se ouvir, se conhecer, pensar, é sempre a última, porque consideramos um corpo parado inativo, devemos sempre estar em movimento, sempre prontos para o que a vida vem nos trazer, afinal, quem sabe se nessa nova atividade a minha vida não muda?
Em conversa com Vivian Ragazzi, aqui do meu trabalho mesmo, chegamos à conclusão de que o homem é movido pelo pensamento que os outros tem -ou podem ter- dele. O que o outro vai pensar de você é mais importante do que você pensa de você mesmo. A opinião do outro sobre a sua pessoa muitas vezes o faz agir como essa pessoa espera que você aja!
Não que eu ache isso extremamente ruim, afinal, a necessidade de provar para os outros que você pode mais é que levou o homem a estar onde ele está agora.
O desejo de "ser" é o que mais move o homem, só não pode ser maior que ele mesmo. E você, gostou do que eu escrevi?
quarta-feira, 29 de maio de 2013
"O IMPORTANTE NA EMOÇÃO É O SEU SIGNIFICADO"
Porque nós achamos que alguém muito passional chega a ser desequilibrado em certos momentos? Simplesmente porque a pessoa não chegou na parte de racionalizar os fatos e tudo o que sentiu, tudo acaba saindo explosivo e desnorteado. Assim eu vejo a arte. Estava vendo alguns videos de dança na internet e cheguei à uma conclusão: é muito fácil ser brega. Se o criador não tomar cuidado, o que ele faz pode ficar totalmente piegas.
Acredito que o artista tem um lado emocional/sensitivo muito forte, se não, não se expressaria pela arte, mas sim por outra forma. Mas, é muito perigoso se deixar levar totalmente pela emoção quando se planeja uma obra de arte. Ontem, lendo o livro " Para Atores e Não Atores" do Augusto Boal, cheguei à essa conclusão: o artista PRECISA ter seu lado racional sob controle. Ou seja, razão e emoção devem andar lado a lado, devemos sentir e racionalizar a sensação para podermos explicá-la, afinal, a arte comunica.
"O importante na emoção é o seu significado", é isso Boal! Uma emoção sozinha é muito vaga, muito superficial, a emoção deve vir com um significado, deve vir com uma racionalização. No palco, por exemplo, um ator que é "só emoção" se torna perigosíssimo para os colegas de palco e para ele mesmo (vide exemplo do ator que fazia Otelo de Shakespeare que quase matava a Desdêmona em praticamente todas as sessões). O artista DEVE ter um distanciamento coerente da sua obra porque se não tiver, aquilo vira um balde cheio de emoção sem nenhum conteúdo ou informação. Não digo informação do estilo jornalismo, mas no sentido de inteligível, de compreensível.
Acho que deveríamos pensar assim: o que eu quero dizer sobre isso? Em que isso me toca? Para quem eu quero falar? Eu sei que me parece um pouco radialista demais, principalmente a parte do público alvo, mas tudo aquilo que se comunica deve ser bem estudado para não ser cometido nenhum equívoco. Pense sempre que a partir de um momento que a pessoa se abre para ouvir ou ver uma obra, ela liga uma parte sensorial do seu cérebro, que também passa pelo racional. Ou seja, a pessoa vai tirar uma conclusão daquilo que ela viu, queira ou não queira. Assim deve agir o artista do momento de criação: sentir, pensar e agir. Ser racional não é ser frio, é saber analisar.
Acredito que o artista tem um lado emocional/sensitivo muito forte, se não, não se expressaria pela arte, mas sim por outra forma. Mas, é muito perigoso se deixar levar totalmente pela emoção quando se planeja uma obra de arte. Ontem, lendo o livro " Para Atores e Não Atores" do Augusto Boal, cheguei à essa conclusão: o artista PRECISA ter seu lado racional sob controle. Ou seja, razão e emoção devem andar lado a lado, devemos sentir e racionalizar a sensação para podermos explicá-la, afinal, a arte comunica.
"O importante na emoção é o seu significado", é isso Boal! Uma emoção sozinha é muito vaga, muito superficial, a emoção deve vir com um significado, deve vir com uma racionalização. No palco, por exemplo, um ator que é "só emoção" se torna perigosíssimo para os colegas de palco e para ele mesmo (vide exemplo do ator que fazia Otelo de Shakespeare que quase matava a Desdêmona em praticamente todas as sessões). O artista DEVE ter um distanciamento coerente da sua obra porque se não tiver, aquilo vira um balde cheio de emoção sem nenhum conteúdo ou informação. Não digo informação do estilo jornalismo, mas no sentido de inteligível, de compreensível.
Acho que deveríamos pensar assim: o que eu quero dizer sobre isso? Em que isso me toca? Para quem eu quero falar? Eu sei que me parece um pouco radialista demais, principalmente a parte do público alvo, mas tudo aquilo que se comunica deve ser bem estudado para não ser cometido nenhum equívoco. Pense sempre que a partir de um momento que a pessoa se abre para ouvir ou ver uma obra, ela liga uma parte sensorial do seu cérebro, que também passa pelo racional. Ou seja, a pessoa vai tirar uma conclusão daquilo que ela viu, queira ou não queira. Assim deve agir o artista do momento de criação: sentir, pensar e agir. Ser racional não é ser frio, é saber analisar.
terça-feira, 21 de maio de 2013
DA RISADA AO BATUQUE
Nessas 2 semanas assisti 2 espetáculos bem diferentes, cada um maravilhoso em sua linguagem: "A Noite dos Palhaços Mudos", com o grupo Lá Mínima, e "Humus", com a Cia Antônio Nóbrega de Dança.
Vamos começar com o espetáculo assistido há mais tempo. Não me lembro na minha infância de ter ido ao circo, não tenho na memória a lembrança do palhaço, por isso sua figura sempre me foi muito distante. Aos 22 anos, pela primeira vez fui apresentada ao universo. Não fui ao circo, é verdade, estava no Sesc Ipiranga (que sopa deliciosa), em uma semana onde o circo estava sendo homenageado. Mas ver o palhaço, aquele palhaço que me lembrou Charlie Chaplin: bobo, inocente, criança, me fez muito bem!
A peça é maravilhosa: começa com um homem que rouba o nariz de um palhaço simplesmente porque quer acabar com a raça dos palhaços mudos. Este palhaço, juntamente com seu amigo, vão até a mansão do ladrão para recuperar a identidade. Todos sabem que o palhaço não é palhaço sem o seu nariz, e que o nariz de palhaço é muito mais do que um simples nariz, é o palhaço completo.
A sensação é de que eu estava assistindo a uma brincadeira de criança bem ensaiada! O palhaço nunca diz "não", aceita tudo aquilo que você propõe como verdadeiro, e isso no teatro é brilhante! Não vou me esquecer nunca de uma cena feita com dedinhos e um carrinho de brinquedo. Nessas horas nós percebemos o quanto às vezes somos atores chatos e cabeçudos. Uma cena pode ser feita de tantas formas, de tantos jeitos, e aquele era um jeito tão simples que me senti uma estúpida! Em apenas 1h me diverti e embarquei no mundo que eles propuseram. E tem mais: assistir uma sessão com crianças é delicioso! Riem, choram e acreditam em tudo! Pra mim, teatro é isso: pureza, em todos os sentidos, até nos mais sórdidos!
Bom, o segundo foi um espetáculo de uma síntese da pesquisa de Antônio Nóbrega na dança brasileira, com o nome "Humus" no Auditório do Ibirapuera. Pra começar, nem acredito que consegui assistir, porque eu e Rodrigo Inamos chegamos 30 minutos atrasados! Perdemos o começo, mas chegamos no solo da minha amiga Priscila Paciência, que estava dançando Maracatu Rural em uma música que pegou, não dava pra parar de ouvir, mesmo sem a música!
Teaser do Espetáculo Humus
Tudo o que os bailarinos fizeram parecia muito fácil -taí a eficiência- tirando a parte do frevo, que eu sabia que se tentasse dançar alguma coisa, não sairia do chão por falta de força. Diferentemente do espetáculo "Pó de Nuvens" que me trouxe tranquilidade, este espetáculo me deu energia, acredito que seja por conta da nossa dança de batuques, onde a explosão é necessária.
Definitivamente, eu adoro a dança brasileira! Me deu vontade de ir dançar no palco, mesmo sabendo que eu ia passar vergonha. Nossa cultura é rica em ritmos, passos, é uma cultura mestiça da culinária até a genética.
Realmente Antônio Nóbrega é um ótimo pesquisador, ator, músico, bailarino, coreógrafo, cenógrafo, psicólogo, médico e gari. Um espetáculo que não deu vontade de ir embora, só espero que tenham mais um reapresenta pra eu ver o começo!!
Essas experiências artísticas (boas) me fazem ter orgulho de tentar pertencer à classe. Me dão vontade de continuar seguindo, pesquisando e experimentando novas linguagens, novos meios. O que aprendi? Tudo é linguagem, tudo é referência, tudo é arte!
Vamos começar com o espetáculo assistido há mais tempo. Não me lembro na minha infância de ter ido ao circo, não tenho na memória a lembrança do palhaço, por isso sua figura sempre me foi muito distante. Aos 22 anos, pela primeira vez fui apresentada ao universo. Não fui ao circo, é verdade, estava no Sesc Ipiranga (que sopa deliciosa), em uma semana onde o circo estava sendo homenageado. Mas ver o palhaço, aquele palhaço que me lembrou Charlie Chaplin: bobo, inocente, criança, me fez muito bem!
A peça é maravilhosa: começa com um homem que rouba o nariz de um palhaço simplesmente porque quer acabar com a raça dos palhaços mudos. Este palhaço, juntamente com seu amigo, vão até a mansão do ladrão para recuperar a identidade. Todos sabem que o palhaço não é palhaço sem o seu nariz, e que o nariz de palhaço é muito mais do que um simples nariz, é o palhaço completo.
A sensação é de que eu estava assistindo a uma brincadeira de criança bem ensaiada! O palhaço nunca diz "não", aceita tudo aquilo que você propõe como verdadeiro, e isso no teatro é brilhante! Não vou me esquecer nunca de uma cena feita com dedinhos e um carrinho de brinquedo. Nessas horas nós percebemos o quanto às vezes somos atores chatos e cabeçudos. Uma cena pode ser feita de tantas formas, de tantos jeitos, e aquele era um jeito tão simples que me senti uma estúpida! Em apenas 1h me diverti e embarquei no mundo que eles propuseram. E tem mais: assistir uma sessão com crianças é delicioso! Riem, choram e acreditam em tudo! Pra mim, teatro é isso: pureza, em todos os sentidos, até nos mais sórdidos!
Bom, o segundo foi um espetáculo de uma síntese da pesquisa de Antônio Nóbrega na dança brasileira, com o nome "Humus" no Auditório do Ibirapuera. Pra começar, nem acredito que consegui assistir, porque eu e Rodrigo Inamos chegamos 30 minutos atrasados! Perdemos o começo, mas chegamos no solo da minha amiga Priscila Paciência, que estava dançando Maracatu Rural em uma música que pegou, não dava pra parar de ouvir, mesmo sem a música!
Teaser do Espetáculo Humus
Tudo o que os bailarinos fizeram parecia muito fácil -taí a eficiência- tirando a parte do frevo, que eu sabia que se tentasse dançar alguma coisa, não sairia do chão por falta de força. Diferentemente do espetáculo "Pó de Nuvens" que me trouxe tranquilidade, este espetáculo me deu energia, acredito que seja por conta da nossa dança de batuques, onde a explosão é necessária.
Definitivamente, eu adoro a dança brasileira! Me deu vontade de ir dançar no palco, mesmo sabendo que eu ia passar vergonha. Nossa cultura é rica em ritmos, passos, é uma cultura mestiça da culinária até a genética.
Realmente Antônio Nóbrega é um ótimo pesquisador, ator, músico, bailarino, coreógrafo, cenógrafo, psicólogo, médico e gari. Um espetáculo que não deu vontade de ir embora, só espero que tenham mais um reapresenta pra eu ver o começo!!
Essas experiências artísticas (boas) me fazem ter orgulho de tentar pertencer à classe. Me dão vontade de continuar seguindo, pesquisando e experimentando novas linguagens, novos meios. O que aprendi? Tudo é linguagem, tudo é referência, tudo é arte!
sexta-feira, 5 de abril de 2013
SOMOS TODOS LOUCOS!!
Nesta terça-feira, dia 02/04/2013, fiz uma experiência: dei uma aula de teatro/corpo para alunos de uma academia de ginástica. A minha tentativa é de trazer o universo do teatro para a realidade da academia. Como? Exercícios corporais juntados com interpretações e visões criativas sobre as coisas da vida.
Pra variar, estavam todos os 5 ou 6 alunos (esqueci de contar) bem tímidos. Alguns faziam os exercícios numa boa, outros se perguntavam o porque estavam ali. Ninguém se recusou a fazer nada, apenas fazia com vergonha; e olha que eu não coloquei nada que considerasse "pagação de mico": caminhando pelo espaço, partituras corporais, dança dos elementos, exercício das fotos, improvisação sobre um espaço... Mas mesmo assim os senti acanhados e faziam tudo rindo e não acreditando no que o colega estava fazendo.
Depois dessa aula parei para perceber a grande diferença entre dar aulas para crianças e adultos: as crianças não estão ligando para seus papéis sociais, para o que os outros vão pensar dela se agir desta ou daquela forma, fazem e pronto! Já o adulto, cheio de regras e funções, acha todo esse universo da imaginação, criação e brincadeira uma vergonha. Até perceberem que eles, naquele espaço, estão permitidos a fazer o que bem entendem se vão algumas aulas.
Engraçado... passando por algumas situações que a gente passa no trabalho penso que loucos somos nós. Porque não um pouco de loucura na nossa vida cotidiana? A quem queremos agradar? Porque devemos fingir tanto estarmos contentes, estarmos satisfeitos? Não é mais correto falar a verdade? Correto é, mas é muito mais difícil, porque nem todo mundo concorda com alguém muito sincero.
Então quer dizer, temos que fingir! Fingir que existe muita justiça no mundo, fingir que tudo isso é muito normal. Ou seja, somos atores! HÁ! Então, meus amigos, porque não nos permitimos soltar o verbo? Porque não nos permitimos expressar o que queremos? A arte é uma bela válvula de escape, a arte nos ouve, e através dela somos ouvidos pelo mundo. Se não falarmos, enlouquecemos, e cada um tem seu meio de enlouquecer: depressão, dor de estômago, estresse, consumo, mau-caratismo. Vejo todas essas reações humanas como válvula de escape. Porque então não fazemos algo mais saudável? Não precisa ser propriamente teatro, mas precisa ser algo onde você se sinta ouvido.
Admita: por dentro, SOMOS TODOS LOUCOS!!
Pra variar, estavam todos os 5 ou 6 alunos (esqueci de contar) bem tímidos. Alguns faziam os exercícios numa boa, outros se perguntavam o porque estavam ali. Ninguém se recusou a fazer nada, apenas fazia com vergonha; e olha que eu não coloquei nada que considerasse "pagação de mico": caminhando pelo espaço, partituras corporais, dança dos elementos, exercício das fotos, improvisação sobre um espaço... Mas mesmo assim os senti acanhados e faziam tudo rindo e não acreditando no que o colega estava fazendo.
Depois dessa aula parei para perceber a grande diferença entre dar aulas para crianças e adultos: as crianças não estão ligando para seus papéis sociais, para o que os outros vão pensar dela se agir desta ou daquela forma, fazem e pronto! Já o adulto, cheio de regras e funções, acha todo esse universo da imaginação, criação e brincadeira uma vergonha. Até perceberem que eles, naquele espaço, estão permitidos a fazer o que bem entendem se vão algumas aulas.
Engraçado... passando por algumas situações que a gente passa no trabalho penso que loucos somos nós. Porque não um pouco de loucura na nossa vida cotidiana? A quem queremos agradar? Porque devemos fingir tanto estarmos contentes, estarmos satisfeitos? Não é mais correto falar a verdade? Correto é, mas é muito mais difícil, porque nem todo mundo concorda com alguém muito sincero.
Então quer dizer, temos que fingir! Fingir que existe muita justiça no mundo, fingir que tudo isso é muito normal. Ou seja, somos atores! HÁ! Então, meus amigos, porque não nos permitimos soltar o verbo? Porque não nos permitimos expressar o que queremos? A arte é uma bela válvula de escape, a arte nos ouve, e através dela somos ouvidos pelo mundo. Se não falarmos, enlouquecemos, e cada um tem seu meio de enlouquecer: depressão, dor de estômago, estresse, consumo, mau-caratismo. Vejo todas essas reações humanas como válvula de escape. Porque então não fazemos algo mais saudável? Não precisa ser propriamente teatro, mas precisa ser algo onde você se sinta ouvido.
Admita: por dentro, SOMOS TODOS LOUCOS!!
segunda-feira, 18 de março de 2013
SIMPLES E BONITO
Ontem, finalmente, vi um espetáculo que me fizesse subir as paredes! Há tempos não me sentia assim, com a cabeça livre, pensando no que vi, e tomando como referência para várias cenas que desejo fazer. O espetáculo de dança "Pó de Nuvens" do Grupo de Dança Primeiro Ato, mistura dança contemporânea e teatro. Os dançarinos tem muita expressão corporal, e mostram uma leveza que até parece muito fácil fazer qualquer coisa que eles fizeram.
O que me chamou atenção para assistir, além da dança, foi a homenagem à dois mineiros: João Guimarães Rosa - autor de Sagarana e muitos outros - e Milton Nascimento, um dos meus cantores preferidos. Quando você lê uma sinopse dessas, imagina mil coisas: poesias, danças baseadas nas histórias, músicas... Na realidade, o que eu vi, foi mais uma homenagem carinhosa aos dois mineiros do que propriamente uma mostra de suas obras: o diálogo feito somente com cidades mineiras "Caldas, caldas....", o sotaque mineiro, as vacas, o clima de fazenda... Me senti feliz. Aliás, não só eu! Todo o elenco parecia estar satisfeitíssimo com o espetáculo. Sorriam livremente, sem aquela obrigação do "cadê o sorriso?!". Muitas vezes vi uma dançarina com os olhos fechados, simplesmente curtindo e sentindo tudo aquilo que estava acontecendo.
Outra coisa que me pegou neste espetáculo foi a nossa mania de querer entender todas as mensagens. Às vezes, em uma espetáculo, entender é simplesmente SENTIR. Não precisamos racionalizar tudo, principalmente um espetáculo que não tem quase nada de diálogo. As sensações que me traziam me fizeram ficar assistindo aquilo o dia inteiro, e ali eu entendi que se tratava de uma homenagem carinhosa.
Ficava orgulhosa quando via exercícios de teatro no meio daquela dança toda: o famoso exercício das fotos, o exercício de escrever com uma parte do corpo, coro... Isso é mais uma prova de que tudo isso junto se torna uma coisa só, a arte.
Saí de lá feliz, e com vontade de assistir mais espetáculos assim: produção simples, sem grandes acontecimentos, dramas, mas bonito.
O que me chamou atenção para assistir, além da dança, foi a homenagem à dois mineiros: João Guimarães Rosa - autor de Sagarana e muitos outros - e Milton Nascimento, um dos meus cantores preferidos. Quando você lê uma sinopse dessas, imagina mil coisas: poesias, danças baseadas nas histórias, músicas... Na realidade, o que eu vi, foi mais uma homenagem carinhosa aos dois mineiros do que propriamente uma mostra de suas obras: o diálogo feito somente com cidades mineiras "Caldas, caldas....", o sotaque mineiro, as vacas, o clima de fazenda... Me senti feliz. Aliás, não só eu! Todo o elenco parecia estar satisfeitíssimo com o espetáculo. Sorriam livremente, sem aquela obrigação do "cadê o sorriso?!". Muitas vezes vi uma dançarina com os olhos fechados, simplesmente curtindo e sentindo tudo aquilo que estava acontecendo.
Outra coisa que me pegou neste espetáculo foi a nossa mania de querer entender todas as mensagens. Às vezes, em uma espetáculo, entender é simplesmente SENTIR. Não precisamos racionalizar tudo, principalmente um espetáculo que não tem quase nada de diálogo. As sensações que me traziam me fizeram ficar assistindo aquilo o dia inteiro, e ali eu entendi que se tratava de uma homenagem carinhosa.
Ficava orgulhosa quando via exercícios de teatro no meio daquela dança toda: o famoso exercício das fotos, o exercício de escrever com uma parte do corpo, coro... Isso é mais uma prova de que tudo isso junto se torna uma coisa só, a arte.
Saí de lá feliz, e com vontade de assistir mais espetáculos assim: produção simples, sem grandes acontecimentos, dramas, mas bonito.
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| Foto de Guto Muniz |
quarta-feira, 6 de março de 2013
5 MESES EM POUCAS LINHAS
Fiquei muito tempo sem passar por aqui, muito tempo mesmo! Mil coisas aconteceram, uma seguida da outra, e como as atrizes falam "Estou estudando novas propostas, novos projetos...". Desde Outubro tenho sempre alguma coisa nova pra me preocupar: edição do TCC, apresentação de final de ano das minhas alunas, coreografia de uma ala da Mocidade Alegre, formatura... Agora que eu dei uma respirada!
Oficialmente sou "Atriz e Radialista" -a ordem vem pelo primeiro DRT- como a maioria das pessoas, tenho uma vida dupla: sou Assistente de Produção e atriz. Até fevereiro tinha uma vida tripla, como Assistente de Produção, Atriz, e coreógrafa! Pois é, a gente nem percebe e a vida nos dá mil e uma oportunidades, e ansiosa que sou, só percebo que elas vieram depois que passaram. Mas estou aprendendo a lidar com ela, e começando a reconhecer as minhas conquistas (isso é muito importante!).
Enfim, não sei nem por onde começar! Vamos pelo começo: depois de noites mal-dormidas, TCC foi entregue, e consegui me voltar somente para a apresentação das minhas alunas no Studio Eudóxio Júnior. E ainda bem que o TCC já tinha "passado"; não é que mudaram a proposta da apresentação 2 semanas antes do espetáculo?! Pois é, nesse final de ano descobri que sou, realmente, uma mente criativa. A exatas 2 semanas antes da apresentação final, o dono da escola assistiu ao primeiro passadão (quem é ator sabe que o primeiro passadão é onde todo mundo vê a peça inteira, e as mudanças acontecem), e disse que não era nada daquilo o que ele esperava. Estranho, pois fui chamada para fazer um trabalho mais corporal com as meninas, mas, como não queria manchar o meu nome na minha primeira direção, mudei praticamente tudo! Coloquei falas (que praticamente não existiam), cortei cenas, mudei posição, menina! Foi um corre! Pensa em 20 meninas entre 9 e 14 anos juntas! Bagunça.... Só consegui fazer 1 passadão no palco, e respirei fundo, joguei pro universo, e seja o que Deus quiser (seríamos o primeiro número). E não é que deu mega certo?! Graças às minhas aulas de roteiro, de edição de rádio, de teatro, e a terapia, respirei fundo, confiei nelas e em mim (eu na mesa de som, e elas no palco), e te juro, deu 100% certo! Papai e mamãe elogiaram, público riu onde tinha que rir, e eu senti qual é a sensação de dirigir uma peça: na hora, não há nada a fazer!
Passando a apresentação, só elogios, e percebi que nasci para criação, porque logo depois, o carnavalesco Sidnei França, da Mocidade Alegre (só pra constar, bi-campeã do carnaval de SP) me chamou para coreografar uma Ala Cênica na escola, eu, que não tenho experiência nenhuma com dança, só sei dançar porque por algum motivo nasci com ritmo. Na realidade, ele queria uma coreografia básica, com algo mais teatral, para mostrar que a GULA não é tão ruim assim. Quando me mostraram a fantasia, fiquei pensando "tô ferrada, o cup-cake é gigante! Como eu começo?", mas logo depois, Sidnei me diz que criou a fantasia se baseando em um dos figurinos de "Priscila, a rainha do Deserto". Ponto "pánóis"! Naquela mesmíssima hora descobri como eu deveria fazer, que linguagem usar, pra que lado levar: escrachado, cômico, musical, kitch... Assisti os musicais mais próximos, filmes de culinária, comédia dell'arte, e criei uma historinha que serviria de base pra coreografia. Que ator não vive de histórias?! Com essa experiência, comprovei que "Teatro É Jogo" mesmo! Eu e Rodrigo Inamos criamos diversas cenas ouvindo o samba e nos divertindo! Ou seja, estávamos dentro do jogo, da brincadeira, e conseguimos criar coisas muito legais. Depois, Priscila Paciência (esta sim é bailarina/dançarina) me ajudou com a parte dançante, tirando e colocando coisas para facilitar a coreografia. Mesmo com algumas dificuldades, deu tudo certo, e nosso trabalho foi reconhecido!
Infelizmente nem tudo são flores: não continuarei na escola, pois o dono acredita que é melhor abrir o curso de teatro somente no segundo semestre, já para a apresentação final. Fiquei chateada, mas não com raiva. Quem não conhece teatro não percebe que é o mesmo esquema que a dança: teatro também enferruja, não é possível parar de fazer teatro por um tempo e querer voltar 100%, é a mesma coisa! Agora, estou tentando acalmar a minha ansiedade pra não tentar começar um novo curso, acredito que nada é por acaso, e que talvez agora seja o momento de parar e estudar, pra depois sim, juntar um grupo de pessoas interessadas e poder falar: "venha fazer aula com Beatriz Gimene!". Engraçado, toda vez que eu penso que esta é a melhor atitude a ser feita, eu logo penso onde eu posso dar aulas agora...
Enfim, tentando respeitar o tempo, fazer uma pausa dramática pra voltar bem, sem pressa, porque tudo feito na correria pode ser mal-feito. Meus planos agora? Fazer aula de ballet até o 2o semestre, e depois dança contemporânea. Se a grana deixar, minha paixão, dança-afro, o ano inteiro. Teatro é paixão, mas também é respeito.
Oficialmente sou "Atriz e Radialista" -a ordem vem pelo primeiro DRT- como a maioria das pessoas, tenho uma vida dupla: sou Assistente de Produção e atriz. Até fevereiro tinha uma vida tripla, como Assistente de Produção, Atriz, e coreógrafa! Pois é, a gente nem percebe e a vida nos dá mil e uma oportunidades, e ansiosa que sou, só percebo que elas vieram depois que passaram. Mas estou aprendendo a lidar com ela, e começando a reconhecer as minhas conquistas (isso é muito importante!).
Enfim, não sei nem por onde começar! Vamos pelo começo: depois de noites mal-dormidas, TCC foi entregue, e consegui me voltar somente para a apresentação das minhas alunas no Studio Eudóxio Júnior. E ainda bem que o TCC já tinha "passado"; não é que mudaram a proposta da apresentação 2 semanas antes do espetáculo?! Pois é, nesse final de ano descobri que sou, realmente, uma mente criativa. A exatas 2 semanas antes da apresentação final, o dono da escola assistiu ao primeiro passadão (quem é ator sabe que o primeiro passadão é onde todo mundo vê a peça inteira, e as mudanças acontecem), e disse que não era nada daquilo o que ele esperava. Estranho, pois fui chamada para fazer um trabalho mais corporal com as meninas, mas, como não queria manchar o meu nome na minha primeira direção, mudei praticamente tudo! Coloquei falas (que praticamente não existiam), cortei cenas, mudei posição, menina! Foi um corre! Pensa em 20 meninas entre 9 e 14 anos juntas! Bagunça.... Só consegui fazer 1 passadão no palco, e respirei fundo, joguei pro universo, e seja o que Deus quiser (seríamos o primeiro número). E não é que deu mega certo?! Graças às minhas aulas de roteiro, de edição de rádio, de teatro, e a terapia, respirei fundo, confiei nelas e em mim (eu na mesa de som, e elas no palco), e te juro, deu 100% certo! Papai e mamãe elogiaram, público riu onde tinha que rir, e eu senti qual é a sensação de dirigir uma peça: na hora, não há nada a fazer!
Passando a apresentação, só elogios, e percebi que nasci para criação, porque logo depois, o carnavalesco Sidnei França, da Mocidade Alegre (só pra constar, bi-campeã do carnaval de SP) me chamou para coreografar uma Ala Cênica na escola, eu, que não tenho experiência nenhuma com dança, só sei dançar porque por algum motivo nasci com ritmo. Na realidade, ele queria uma coreografia básica, com algo mais teatral, para mostrar que a GULA não é tão ruim assim. Quando me mostraram a fantasia, fiquei pensando "tô ferrada, o cup-cake é gigante! Como eu começo?", mas logo depois, Sidnei me diz que criou a fantasia se baseando em um dos figurinos de "Priscila, a rainha do Deserto". Ponto "pánóis"! Naquela mesmíssima hora descobri como eu deveria fazer, que linguagem usar, pra que lado levar: escrachado, cômico, musical, kitch... Assisti os musicais mais próximos, filmes de culinária, comédia dell'arte, e criei uma historinha que serviria de base pra coreografia. Que ator não vive de histórias?! Com essa experiência, comprovei que "Teatro É Jogo" mesmo! Eu e Rodrigo Inamos criamos diversas cenas ouvindo o samba e nos divertindo! Ou seja, estávamos dentro do jogo, da brincadeira, e conseguimos criar coisas muito legais. Depois, Priscila Paciência (esta sim é bailarina/dançarina) me ajudou com a parte dançante, tirando e colocando coisas para facilitar a coreografia. Mesmo com algumas dificuldades, deu tudo certo, e nosso trabalho foi reconhecido!
Infelizmente nem tudo são flores: não continuarei na escola, pois o dono acredita que é melhor abrir o curso de teatro somente no segundo semestre, já para a apresentação final. Fiquei chateada, mas não com raiva. Quem não conhece teatro não percebe que é o mesmo esquema que a dança: teatro também enferruja, não é possível parar de fazer teatro por um tempo e querer voltar 100%, é a mesma coisa! Agora, estou tentando acalmar a minha ansiedade pra não tentar começar um novo curso, acredito que nada é por acaso, e que talvez agora seja o momento de parar e estudar, pra depois sim, juntar um grupo de pessoas interessadas e poder falar: "venha fazer aula com Beatriz Gimene!". Engraçado, toda vez que eu penso que esta é a melhor atitude a ser feita, eu logo penso onde eu posso dar aulas agora...
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